“Meus versos nascem como quem dá luz a um único filho, em gestações que podem durar uma vida ou segundos...” (Chris Amag)



quarta-feira, 23 de setembro de 2009

Estações

 foto Mariah













Quando criança, fui arrancada do chão,
Plantada em lugares áridos e vazios.
Na adolescência já cheia de razão,
Arei minha própria terra, perto de rios.

Quando aprendi a ser mulher, fui árvore frondosa,
De mim brotou um fruto carregado de amor
Que balançava nos meus galhos na hora de ninar,
Que vivia me rodeando querendo brincar.

No outono, feito lágrima, as folhas rolavam,
Então um pouco de mim se espalhava com o vento,
Com a alma exposta, tronco e galhos murmuravam
Um barulho a farfalhar cheio de lamento...

O tempo passa e tudo que estava seco e morto
Revela um verde esperança, borda braços e dedos
E o que parecia antes vergado e torto,
Agora se estica numa silhueta carregada de segredos.

E assim, com as raízes profundas fincadas no chão,
Essa árvore consegue trabalhar a resiliência,
Sabe na hora certa e com todas as letras dizer “não”,
A resistir às mudanças bruscas com mais paciência.

Chris Amag
09-04-09
00h25min

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