“Meus versos nascem como quem dá luz a um único filho, em gestações que podem durar uma vida ou segundos...” (Chris Amag)



terça-feira, 22 de maio de 2012

Hoje troco os versos por uma crônica, meu diário secreto...

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Dando um "up" na minha vida pacata...


O dia amanheceu, como sempre, com o meu celular tocando a Canção da Alvorada. Queria tanto ficar mais um pouco na cama quentinha, mas o fim de semana estava longe ainda para esse conforto...

A minha cabeça estava pesada, uma gripe forte abafou o som de tudo. Eu não estava bem, e se eu soubesse como terminaria o meu dia, nem teria saído de casa.

A manhã passou lenta, fiquei pior, depois do almoço não voltei ao trabalho, resolvi ir a um pronto atendimento, era a primeira vez que usava o meu convênio médico novo, um convênio que fiz depois de pensar muito e organizar as minhas finanças. Quando cheguei, vi uma instalação suntuosa em um bairro nobre da cidade; mas, para a minha surpresa, quando entrei na recepção, deparei-me com um quadro assustador, era tanta gente para ser atendida que não havia mais lugar para sentar. Peguei uma senha. Enquanto aguardava o painel acender o meu número, observava a expressão do rosto de cada um, a maioria insatisfeita com o atendimento. Quando, finalmente, fui chamada, resolvi perguntar quanto tempo teria de esperar, “aproximadamente duas horas”, disse a atendente, calmamente, como se isso fosse a coisa mais natural do mundo. Resolvi ir embora, ir para a minha casa, para a minha cama quentinha.

Peguei meu carro e saí por aquela avenida onde não tinha o costume de passar, dirigia devagar para poder ler as placas e também porque não estava bem. De repente, vi a placa “Jardim das Indústrias”, fiquei feliz, dei o sinal e fiz uma manobra rápida, tão rápida que só escutei um barulho assustador – o meu carro tinha provocado um acidente. Sim, nem vou discutir, pois virei tão em cima da hora que o carro que vinha atrás não teve tempo de parar... Seria o tal do ponto cego que todos comentam? Não sei... E eu que não quis aguardar duas horas, agora esperaria muito mais. Paramos mais à frente, conversamos, chegamos a um acordo, debaixo de uma chuvinha fina e gelada que me deixou ainda mais doente. Poderia tudo ter terminado ali, se os policiais não tivessem prendido o meu carro, SIM o meu carro foi guinchado! Eu que tenho fama de ser tão organizada e responsável, tinha esquecido de licenciar o carro, e não adiantava argumentar que o IPVA e o seguro obrigatório estavam pagos...

Então, me vi numa avenida movimentada, numa tarde chuvosa e fria, sem meio de voltar para casa, vendo o meu carro ser amarrado na carroceria daquele imenso caminhão branco... Estava pensando em chamar um táxi... Mil coisas passaram pela minha cabeça... De repente, meus pensamentos foram interrompidos pelo motorista do guincho que me ofereceu uma carona até em casa. Fiquei em silêncio, paralisada, sem fala, sem reação. Aceitei, ele ajudou-me a subir e, depois de instalada naquele veículo barulhento e estranho, continuei em silêncio por um bom tempo, refletindo sobre tudo o que tinha acontecido. Acredito que tudo tenha um propósito em nossa vida, eu tinha de passar por aquilo, não sei por quê, mas tinha... E, novamente, os meus pensamentos foram interrompidos por uma voz masculina e suave: “e o maridão? Ele não pôde vir aqui te ajudar?”.  Não esperava por aquela pergunta, ele me pegou de surpresa, mas respondi, com um sorriso tímido, que eu não tinha marido. Ele sorriu dizendo “eu também não sou casado, faz 13 anos que me separei”. A partir daquele momento, resolvi olhar com atenção para o motorista que me ofereceu ajuda. Meus olhos se voltaram para aquela “figura”: um homem que aparentava ter 45 anos, altura mediana, corpo bonito e a cor dos olhos azul como o céu, eles brilhavam tanto que me chamou a atenção. Então era isso? O destino? Só assim os nossos caminhos poderiam se encontrar? E falando em destino, chegamos ao meu, desci com dificuldade daquele caminhão, agradeci e disse “adeus”. Olhei para trás e vi partir o meu príncipe em seu cavalo branco; mas essa imagem logo se dissipou quando vi o meu carro indo embora com eles.

Como não podemos mudar o que aconteceu, pois o tempo não volta. Não deixei isso me abalar, pois de tudo sempre fica um aprendizado e o mais importante: “ninguém se machucou”. Assim, terminando o meu longo dia, tomei um banho bem quente, sequei os meus cabelos, vesti o meu pijama cor-de-rosa e pedi uma pizza e, enquanto esperava chegar, postei no meu Face: “E tudo acaba em pizza”.

Maria Cristina Gama
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7 comentários:

Arnoldo Pimentel disse...

Coisas da vida, com certeza você tirará alguma lição desse dia tão diferente e tão normal, diferente porque não acontece sempre com a mesma pessoas e normal pois é a realidade das cidades, mas talvez a realidade do hospital pudesse ser diferente, quem sabe um dia? Parabéns pela ótima crônica.Beijos.

Anônimo disse...

Cristina, sinto-me privilegiada por ter sido uma das primeiras a ler sua crônica, antes mesmo de postá-la aqui. Além disso, fui testemunha dessa história, mesmo à distância, por telefone, quando acompanhei alguns trechos da crônica ao vivo. Assim, já fiz meus comentários pessoalmente, por skype, e demos gargalhadas virtuais, brincando com a realidade. Assim, o que era motivo para lamentações virou assunto cômico e ainda sugeriu ideias e mais ideias para futura publicação em jornais ou concursos literários... Parabéns! Continue assim: escrevendo maravilhosamente bem. Que venham novas inspirações, mas não colisões... Brincadeirinha, viu? Beijo da Celinha

Maria Cristina Gama disse...

Ah, Celinha, que honra tê-la aqui, e ler e "ouvir" tudo isso de você é sempre incentivo para quem escreve e um carinho para a sua amiguinha aqui que tem o privilégio de tabalhar ao seu lado todos os dias...

Bjs
Chris

Maria Cristina Gama disse...

Querido Arnoldo Pimentel, comentei lá no seu blogue, mas deixo aqui também uma palavra...

Sabemos que o escritor e o poeta colocam um pouco de ficção em tudo que escrevem, mas deixam o leitor com a "pulga atrás da orelha"... Enquanto ele lê, imagina se aquilo aconteceu daquele jeito mesmo ou não, e isso e o que há de mais maravilhoso para quem escreve.

Assim como imaginei você lá no seu poema, fiquei pensando se tudo aquilo era verdade...

Um grande beijo.

Chris

Soartes disse...

Amei a histório, pena que são fatos verídicos, mas hoje passado o susto damos risada desse terrivel e interminavel dia....rsrsrs

(CARLOS - MENINO BEIJA - FLOR) disse...

Hummmm... pintou um clima sim. Mas por quê não montou no cavalo do príncipe que passou encilhado à sua frente? Dizem que é assim, quando o cavalo da sorte passa, a gente tem que montar. Mas não gostei muito desse príncipe te rodeando não. Brincadeiras à parte, essas coincidências ocorrem sim. O principal... ninguém se machucou.

jaime aus giruá disse...

Chris, esse seu incidente me fez lembrar de um que me aconteceu tempos atrás e resultou em machucaduras, lições e um conto-consolo postado nO Malas y Buenas.
Pois é, existem males que vêm pro nosso bem. Mas a que preço!...
Adorei a crônica.
Valeu!