“Meus versos nascem como quem dá luz a um único filho, em gestações que podem durar uma vida ou segundos...” (Chris Amag)



segunda-feira, 26 de novembro de 2012

Sem asas e sem chão

(flores.culturamix.com)

Sinto-me como uma pena que cai lentamente,
Direcionada pelo vento que a embala sem rumo.
Pena que conota pena, pela pena que sinto sendo pena,
Uma pena branca, sim, vazia da malícia do mundo,
Mas que, quando encosta no chão, perde a brancura...

Sinto-me, hoje, como a flor Dente-de-leão...
Que alguém, em um só golpe de suspiro, lança-me longe
E, então, me divide em vários pedacinhos de mim
Que caem em terras desconhecidas... Por isso me sinto assim:
Meio perdida... Preciso plantar minha semente...

Mas não quero ser pena nem flor que se desmancha no vento,
Não quero ser levada pela sorte, eu preciso de um norte,
De alguém que me segure, de alguém que me plante,
Para que eu possa novamente fazer germinar a minha semente,
Deixar desabrochar a minha poesia e me sentir viva!

Chris Amag

5 comentários:

(CARLOS - MENINO BEIJA - FLOR) disse...

Cristina... por onde começo? Pelo começo... mas não é simples assim. Que bom você de volta à poesia e você de volta à ela. E que volta! Senti um poema triste, cheguei a vagar junto com essa pena, que não merece pena, mas ser tratada com a delicadeza que uma pena merece,pois é assim que ela toca as pessoas: com suavidade. Vamos supor que uma pena ( objeto,coisa ) tenha raciocínio: É assim que ela se sentiria quando içada na mão e fosse soprada ao vento, com destino ignorado. Nós também, e é imagino que seja o elemento motivacional desse poema lindo, chegamos ao topo de uma montanha, galgada com dificuldade, e tem-se a impressão ou que foi tão fácil, ou que não era muito aquilo que nos faria felizes.Falo isso por mim mesmo, já tive a sensação de vazio após subir a montanha. Temos a mania de personalizar, personificar, de coisificar a felicidade, como se ela fosse algo material, e aí, quando alcançamos, bate essa sensação, esse oco. Acabei pesquisando sobre a flor Dente-de-Leão, que tem sim qualidades, ela se espalha e gera outras sementes por aí, e quando soprada, se voltar, chegará o amor. Tomara que o vento lhe sopre de volta. Deixo aqui toda a minha admiração por você, que não é pena, mas um ser humano maravilhoso, uma grande mulher. Beijão.

Arnoldo Pimentel disse...

Sempre serás viva no vento, na poesia e smesma.Beijos.

Irismar Oliveira disse...

oi amiga estou passando para te deixar um abraço , parabéns pelas belas poesia.

abraço

Profª Lourdes disse...

Olá Cris! passei para te desejar um lindo entardecer e uma noite abençoada. lindo post, quentas vezes precisamos de alguem que segure a nossa mão, é como é importante este apoio. Bjuss fica na paz.

Consultora em Educação disse...

MEU PAI


Ivone Boechat (autora)

Gosto de rever
a imagem forte do meu pai,
tremendo o assoalho
ao caminhar.
É doce me lembrar
como se temia
quando ele perdia
a abotoadura,
o guarda-chuva,
a chave de fenda!
Hoje é lenda
a figura enigmática,
a disciplina dura,
a rotina sistemática.
O pai não morre,
ele corre na frente
pra levantar o segredo do véu
e guardar pra gente
o lugar mais estrelado do céu.